PICAPE MERCEDES-BENZ CLASSE X: PRIMEIRAS IMPRESSÕES

PICAPE MERCEDES-BENZ CLASSE X: PRIMEIRAS IMPRESSÕES

A Mercedes-benz não quer revolucionar o segmento de picapes. Quer apenas trazer aqueles diferenciais que só a marca alemã de luxo poderia e, assim, quem sabe, tirar alguns clientes de Toyota, Ford e

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A Mercedes-benz não quer revolucionar o segmento de picapes. Quer apenas trazer aqueles diferenciais que só a marca alemã de luxo poderia e, assim, quem sabe, tirar alguns clientes de Toyota, Ford e Volkswagen da cabine de suas picapes e a colocá-los bordo da nova Classe X. Não é pouca coisa, já que é a primeira vez que a empresa faz uma picape de verdade (um modelo feito na Argentina nos anos 70 era pouco mais que uma curiosidade) e seu lançamento acontece meses após a estreia de uma nova competidora feita sobre a mesma plataforma: a Renault Alaskan (a Nissan Frontier também é feita sobre o mesmo chassis). No Brasil, ela só começa a ser vendida no primeiro trimestre de 2019. A aposta é de que o segmento vá crescer significativamente pelos próximos anos, criando espaço para todos. Até mesmo para uma picape de luxo. Mas o que é uma picape de luxo, afinal? Provavelmente nada disso que está na sua cabeça ao pensar em um modelo Mercedes.

"A Classe X não é uma versão picape de um SUV" é o que os engenheiros mais repetiram durante o lançamento do modelo no Chile. "As pessoas não podem entrar nela esperando encontrar o mesmo interior do GLE", afirma Jefferson Ferrarez, diretor de vendas e marketing da área de comerciais para a empresa no Brasil. Esse posicionamento é muito importante. É aquela descrição que você tem que ter na sua cabeça antes de sequer ver a Classe X ao vivo. Como a sinopse de um filme. Isso porque, em comparação aos automóveis da alemã, a picape tem acabamento bem simples. O suficiente para nem mesmo parecer uma Mercedes.

Visual e acabamento

O exterior é pouco ousado e segue bem à risca as formas e proporções já estabelecidos no segmento. Mas ainda há espaço para inventividades, algumas mais bem sucedidas, outras menos. A dianteira elevada e com capô robusto dão personalidade forte. A lateral, com poucos elementos e sutis vincos e curvas, dão o aspecto de uma picape longa e ágil (o que ela de fato é). O porém fica para a traseira, com os conjuntos de luzes que não invadem nem a lateral, nem a tampa. Falta personalidade e o logo acaba ficando até discreto. Tudo bem, isso dá mais funcionalidade e menor custo para a troca de peças, mas é pragmático demais. Isso que o exterior nem é o ponto de maior espanto.
Ao volante

Pude andar por mais de 400 km ao volante da versão 250 d Power, modelo topo de linha que tem motor 2.3 litros a diesel de 190 cv de potência e 45,8 kgfm de torque. O conjunto mecânico também é composto por uma transmissão automática de sete marchas e é praticamente o mesmo oferecido na atual Nissan Frontier, embora a engenharia alemã tenha feito modificações para adequá-lo ao modo de ser da Classe X.

Em comparação ao modelo japonês, por exemplo, a picape Mercedes é mais larga, com 1,920 metro (contando os retrovisores). O eixo traseiro também foi totalmente refeito, que se tornou um multibraços parcialmente rígido, com molas, amortecedores a gás e estabilizador totalmente novos (tudo sem uso de extensões para alcançar a tal largura extra). Os freios dianteiros e traseiros são a disco, ao contrário da Frontier, que tem o sistema de trás a tambor.

Você pode achar que é pouca mudança ou achar que é o suficiente. O fato é que, na hora de dirigir, a picape ganha, finalmente, um pouco daquela personalidade Mercedes. Embora isso também não aconteça rápido. Embora a posição de dirigir seja elevada e confortável, o volante não traz ajuste de profundidade, apenas de altura, e a direção é bem pesada. O banco é composto de espuma firme revestida de couro, que permite uma posição ereta e natural de dirigir.